O QUE DIFERENCIA UM TRABALHADOR DEDICADO DE UM WORKAHOLIC?
Ser workaholic não é garantia de sucesso profissional.
Sabe aquela pessoa que passa maior parte do dia trabalhando? Existe ate um nome especial para definir esse comportamento: WORKAHOLIC. Trabalhar longas horas e ter um bom salário. Pode parecer um sinal de sucesso, muita gente já se deparou com esse discurso por ai. “Trabalhem enquanto eles dormem, então viva o que eles sonham’. Claro de vez em quando, a gente precisa abrir mão da diversão para se dedicar a um objetivo profissional. Acontece que em alguns casos o trabalho toma completamente outros aspectos da vida e até mesmo se transforma em vicio. E ai que mora o problema. O WORKAHOLIC é considerado um funcionário dedicado, enquanto isso a vida pessoal sofre as consequências do excesso no trabalho.
A ambição pode levar a gente mais longe, mas quando é que a gente perde o equilíbrio e isso pode se tornar um problema?
Em primeiro lugar, quando você não percebe que ser um WORKAHOLIC é ser uma espécie de carne para ser moída na carne de alguma corporação. Então as corporações querem aquele funcionário jovem, entre 25 a 35 que não que não tenha família que trabalhe sábado e domingo e depois ele vai ser descartado, porque ele não aguenta. Há áreas específicas que gostam muito disso. A palavra é especifica de 1971, provavelmente uma palavra denominada como contemporânea e é um erro estratégico, dedicar-se ao que você faz é fundamental, mas você não é apenas um trabalhador. Então o que é uma pessoa equilibrada? É aquela que trabalha com empenho e com empenho se deixa a família, a reciclagem de si e ao mesmo tempo ao descanso. Senão, você é um carro a 90km por hora, em primeira marcha e uma hora o motor funde e ai você não serve mais.
É interessante que citemos a necessidade de observar o equilíbrio, porque o que a gente percebe é muitas vezes as pessoas esquecendo da sua vida pessoal e prejudicando a própria produtividade no logo prazo, justamente quando citado acima sobre erro estratégico.
É porque você precisa pensar no denominador da fração. Voce lembra la do ensino fundamental, o denominador é você. Então quanto mais você vai colocando em cima coisas, você deve lembrar que continua a mesma pessoa.Há um dia que você tera que dormir menos para entregar um relatório há um final de semana que se exige um empenho. Nao podemos confiar muito em pessoas perfeitamente horistas, “acabou meu horário, levanto a mão do teclado e vou embora”. É uma pessoa muito ruim isso. Agora não “faz mal ficar até as 2 horas da manhã”, ou amanha cheguem as 6 horas e “oba que delicia”, ou trabalhar sábado e domingo, “que maravilha”, cuidado, você estas sendo usado. E daí vem os discursos para os quais são contratados muitas pessoas para falarem nas empresas sobre dedicação e alegria no trabalho porque dá lucro um funcionário feliz porque ele não demanda aumento e ele pode ser alvo de uma exploração muito maior. Gente dedicada mas confundir seu projeto com a empresa é ruim porque a empresa nunca vai confundir o projeto dela com você.
TRABALHADOR COMPULSIVO DEIXA A VIDA PESSOAL DE LADO
E como a tecnologia pode influenciar muito nesse comportamento de uma submissão absoluta a uma lógica do trabalho pois, hoje em dia com a revolução dos smartphones levamos ao trabalho para qualquer lugar. Então como lidar com tecnologia e não prejudicar a nossa existência?
De fato a tecnologia faz com que as fronteiras entre o trabalho, a vida pessoal e as redes sociais que a gente expõe tudo isso, elas acabam quase meio que não existindo. Na revolução industrial a gente tinha o apreço pela produtividade, tínhamos o fordismo, o tuitismo, mas quando vieram as empresas de tecnologia, o mundo das startups, a mesa de Ping Pong para brincar, com se tudo isso torna-se as pessoas a apensar que “ o trabalho é importante e ai eu posso fazer tudo aqui, inclusive me divertir e o trabalho faz parte dessa diversão” , assim como lavanderias e academias dentro de casas justamente como estratégias para que tenha mais tempo livre, inclusive para o trabalho, isso acaba sendo bastante complicado e a gente sabe que alguns profissionais como de TI é uma coisa 24 horas por dia, se o servidor cair, não interessa se é 2 horas da manhã, tem que ter pessoas ali. Então geralmente quem trabalha nessa área acaba trabalhando bastante e ai tem um pouco essa cultura do WORKAHOLIC principalmente nas empresas de tecnologia porque a gente tem os grandes “papas” como Steve Jobs, essa coisas do trabalho de garagem, de “self me bilianer’ é muito complicado poisa pessoas acabam se inspirando, só uma questão de trabalho vai dar certo. Realmente a tecnologia faz com que as fronteiras quem borradas e as pessoas não conseguem diferenciar o que é e o que não é.
De fato na época da revolução industrial, a gente tinha uma questão de limite de espaço, de onde se irias trabalhar, de limite de horas, e ai não só com a revolução tecnológica, fomos percebendo que isso foi se esvaziando, mas a gora com a pandemia a gente sentiu de forma ainda mais sensível. Se for pensar também, antes existiam as leis trabalhistas, era todo mundo CLT, agora basicamente é uma coisa do passado, é todo mundo acaba sendo empreendedor e essas leis trabalhistas se escorrem por terra. Precisamos também tomar cuidado para não romantizar essas flexibilizações de vínculos trabalhistas. A gente não vai mais trabalhar como era no passado mas a gente precisa evoluir garantindo a segurança dos seres humanos.
É uma linha tênue que diferencia o trabalhador dedicado do que é um WORKAHOLIC, no entanto alguns comportamentos podem indicar que o trabalho se tornou um vicio. Com base nisso alguns pesquisadores na Universidade de Beringer na Noruega definiram critérios para analisarmos caso a caso. Vamos ver cada um desses COMPORTAMENTO DO WORKAHOLIC:
✔️ Pensar em ter mais tempo para trabalhar
✔️ Trabalhar mais do que o planejado
✔️ Trabalhar para reduzir sentimentos de culpa, ansiedade ou depressão
✔️ Ignorar quando outros dizem para reduzir o trabalho
✔️ Ficar estressado se for proibido de trabalhar
✔️ Não priorizar atividades de lazer e exercícios por causa do trabalho
✔️ Trabalhar a ponto de prejudicar a saúde
Se quatro ou cinco dessas situações acontecem com frequência é hora de ascender um alerta!
VOCE VIVE PARA TRABALHAR OU TRABALHA PARA VIVER?
As vezes as pessoas associam esses comportamentos a sucesso no trabalho, mas não é bem assim como explica o psicanalista Jorge Forbes: Ser um Workaholic não é nenhuma garantia de sucesso profissional, ao contrario, é uma forma de você não se dar conta do que esta fazendo, não se da conta do seu trabalho, da sua escolha, da sua delicadeza, da sua criatividade. É fazer o mesmo de uma forma intempestiva, de uma forma impulsiva. O nome workaholic vem do alcoolismo, que é um circulo vicioso, logo o trabalho também pode ser um circulo vicioso. Então dizer como muitos dizem “eu trabalho muito” pode ser um mal sinal e não um bom sinal. Alem do mais, o trabalho vicioso tira de você a liberdade de escolha, ela é o bem maior que nós temos em nossas vidas
Com a associação dos vínculos trabalhistas, essa ideia de sermos empreendedores de nós mesmos, de uma ideia muito romantizada, há um exercício de uma suposta liberdade. Mas pode não ser bem assim pelo que vimos na entrevista acima, mas como a gente consegue problematizar isso e se conscientizar se a gente esta inserido nesse caldo social que nos diz o tempo inteiro que se não for desse jeito a gente não vai conseguir obter sucesso?
Esse é um discurso que interessa a muita gente, de acordo com Pedro Karnal, Michelangelo pintou o teto da capela cistina e anos depois pintou o fundo com o juízo final. Agora imagine depois Michelangelo encerrando um dia de trabalho, com 18 horas, eu agora vou para casa , ou ja tirei das 8:00 as 18:00. Há trabalhos com criatividade, há trabalhos autônomos, há trabalhos de arte que tem uma determinada dinâmica. Ha trabalhos que você fazer em casa, dentro da sua lógica e isso é muito bom, como por exemplo depois de por os filhos para dormir ter umas horas livres para trabalhar, agora não é possível você ser um bom trabalhador, se você não vê a diferença mais do espaço de trabalho.’
Existe também um comportamento que pode ser acrescentado ao estudo da universidade Beringer, que é aquela pessoa WORKAHOLIC que além de estar viciada, é aquela pessoa só fala de trabalho. Vai beber com um workaholic, ele só fala do emprego. Se saiu com um colega, ele fala permanentemente disso e façam um outro teste como você amanhece e sai da cama na segunda feira.
O trabalho é fundamental, eu adoro trabalhar, trabalho nos define, trabalho nos humaniza, ele nos obriga a conviver, ele nos sustenta, tem vários benefícios, mas se você ano souber puxar o freio, você se torna uma peca útil, mas secundária, porque você pode ser descartado. E o mundo pertence a criatividade e essa criatividade não pode ocorrer se ocorrer se você trabalha 16 horas por dia.
“Da mesma forma que o trabalho nos dignifica, em excesso ele nos prejudica.”
EXCESSO DE DEMANDA PODE PREJUDUCAR A ROTINA DO WORKAHOLIC NO TRABALHO
O trabalho é um espaço de satisfação de desenvolvimento, mas a gente precisa tomar cuida, devido a existência de culpa, ansiedade e se a gente lida o tempo todo com essa preocupação de que o que a gente faz não é o basta
nte, como por exemplo, “eu preciso de mais tempo para trabalhar”, ou “como é que eu posso trabalhar mais do que eu trabalho”, a gente tira inclusive o que o trabalho pode trazer de positivo
Agora quanto as questões dos smartphones, a gente sabe que é bom alertemos as pessoas sobre os horários para usar os smartphones, mas a gente tem conseguido restringir ou esta todo mundo acessando o email toda hora mesmo? Que aplicativos a gente pode usar por exemplo para ir instrumentalizando a tecnologia a nosso favor ao invés de virar escravo das mensagens a todo momento, a gente conseguir um tempo para descansar nossa cabeça e conseguir um tempo com maior produtividade?
Bom, essa é bem delicada, pois acabamos usando outros aplicativos para ajudar nessa questão da produtividade e acaba se enrolando com o uso de vários aplicativos. As pessoas acabam se explorando justamente porque a produtividade é bem vista, e isso podem levar a exaustão e uma serie de consequência para a nossa saude. A tecnologia pode ajudar mas pode pode viciar as pessoas porque, boa parte das pessoas trabalham com produção de conteúdo, e isso faz com que a vida acabe sendo um grande conteúdo, então essa produção acab sendo constante. Existe um outro problema lambe, muita gente acaba se achando extremante produtivo ms ai chega no trabalho, abre email, logo em seguida le as noticias, abre o WhatsApp web, conversa, depois pega um cafe, volta do cafe abre um email e viu que não respondeu, logo se passava uma hora e meia e as pessoas acham que estavam desde o trabalho as 9 horas da manha, e so começam a trabalhar as 10:00 ou 10:30. Então existe muito dessa problema de a gente usa a tecnologia que é muito boa e pode nos ajudar na produtividade, mas a tecnologia ela acab dispersando demais e tem muito gente que acaba se enganando achando que é produtivo e não é.
CONSEQUÊNCIAS PARA A SAÚDE
O quanto a gente esta realmente trabalhando e o quanto a gente acha que esta trabalhando e enquanto o discurso do workaholic for glamorizado, as pessoas tenderão a fingir que trabalham o tempo todo i com isso inclusive prejudicar a nossa saude mental COM ISSO. Vamos voltar ao estudo da Universidade da Noruega, mas de 16 mil pessoas participaram e mais de 8% eram compatíveis com o diagnostico de vicio no trabalho. Isso é muito importante, o workahilic não é a pessoa que gosta do trabalho, mas a pessoa que é viciada no trabalho.
VÍCIO EM TRABALHO X DISTÚRBIO WORKAHOLIC
WORKAHOLICS NÃO WORKAHOLICS
| Tem sintomas de ansiedade | 33,8 | 11,9 |
| Tem sintomas de TDAH | 32, 7 | 12,7 |
| Tem sintomas de TOC | 25,6 | 8,7 |
Para problematizar essa cultura pensando num gasto futuro possível, pensando em politicas de saude publica de longo prazo, porque é interessante pesar que essas pessoas ja tinham potencial para toques, transtornos de deficit, hiperatividade e transferiram isso para o trabalho. Não é provável que o trabalho tenha provocado isso. Então é muito importante avaliar também que a família familiar é complexa, as relatos afetivas são complexas, mas se você esta fazendo uma planilha excel que é um relatório, aquilo é um resultado imediato, que é muito mais rápido viver a felicidade como pai ou como mãe. Então você vai acabar transferindo para o trabalho porque ele é um pouquinho objetivo, mais direto e isso é muito atrativo hoje no mundo de hoje. O trabalho não tem o intuito de criar neuroses, mas o trabalho possibilita que você vá transferindo varias coisas para um espaço que você não questiona mais, um espaço que vai se tornando um grande vicio, por isso worrkaholic como lembrou o Jorge, um pouquinho de alcoolismo com trabalho.
COMPULSÃO POR TRABALHO PODE AFETAR A CRIATIVIDADE
Pode prejudicar muito principalmente nos nossos tempos modernos, nos tempos onde a criação é a grande bússola. O viciado em trabalho só consegue repetir a mesma coisa, como foi muito bem apresentado por Charplin Carlitos, em tempos modernos, pela repetição burra da mesma ação, o dia inteiro. Viciado em trabalho não é bom apara a pessoa, não é bom para a sociedade e é péssimo para o próprio trabalho de acordo com Jorge Forbs
As empresas podem ajudar a difundir a ideia desse “workaholismo”, desse vício em trabalho?
Com certeza! Principalmente as empresas relacionadas a tecnologia, elas tem um pouco disso na própria cultura da empresa, então, quanto mais você trabalha, maior o seu salário, mais bem visto é você pelo outros, pelos seus pares, então tem essa coisa da competição muito acirrada, ate porque quando a gente trabalha com programação, o tempo , as horas, os minutos acaba contando muito, são trabalhadores que trabalham por horas. Então realmente tem essa competição muito mais acirrada. Quem fica mais tempo trabalhando, quem escreve mais linha de códigos, quem resolve mais bugs , então, sim, essas empresas acabam ajudando a difundir essa cultura, infelizmente.
É curioso de a gente pensar, como ate mesmo atitudes que podem ser bem vistas, inclusive pelos trabalhadores, podem ajudar a profundar essa lógica, de não divisão mais entre indivíduo trabalhador e o indivíduo pessoa física num espaço pessoal, porque o que vemos, essa coisa de voce vai para a empresa e agora tem a área de descanso dentro da empresa, tem o dia que você pode ir vestido de maneira casual, você pode levar o seu cachorro para o seu trabalho pois tem um espaço de lazer e de repente , junto com essa coisa da tecnologia, a gente acab vendo com bons olhos, uma lógica que claro, se você estiver dentro do seu horário regular na empresa e puder descansar alguns minutos com estrutura, tudo bem, mas se aquilo significa que você esta passado muito mais horas do seu dia na empresa, isso tem diversas consequências, porque de fato, você acab com a separação, entre o que é o seu trabalho e sua vida privada.
O Jorge Forbs trouxe a tona , o filme “ tempos Modernos”, em que Chaplin em pleno cinema falado, decidiu por um tema ainda mudo, para representar o trabalhador que ainda não sabe qual é o produto final do que ele faz, é incorporado na lógica da maquina> A Rita citou antes, dessa capacidade de fordismo, hiotimso, poderíamos falar de teloirismo, de todas essas variantes de linha de montagem, para o qual o operados era um operário, ou seja, um operados de máquinas, A área de informática é bem tocada, que é a rua de tecnologia , área de produção, de informação, mas é valido letra também, o mercado financeiro, é outra maquina de moer carne, é uma maquina que se você sair antes das 22:00 da noite é porque você não esta muito empenhado, isso porque o mercado de Changai ja esta abrindo, e você tem que estar ligado a tudo isso. Mas acima de tudo, a capacidade, que nos precisamos dizer as pessoas é, não é trabalhem menos, é trabalhem com mais eficácia , com plena dedicacao ao trabalho, no horário do trabalho. Negociem com vocês se algum momento você precisa estender o horário de trabalho, isso é natural em qualquer trabalho.
Como por exemplo, professores como o Carnal, chega no final o ano, necessariamente, sabado, domingo e madrugada, severa trabalhos, reuniões, concelhos de classes que se estendem sem parar. Ha momentos assim, mas precisamos saber dizer não para não virar a peca do Chaplin, uma boa indicação de filme, veja “Tempos Modernos”, trata-se de uma reflexão de como uma pessoa se esgota, na eficácia, como ela se esgota inclusiva na capacidade de uma maquina de alimentar, que vai fazer o trabalhador comer porcas e parafusos, ou seja, como nos perdemos a noção de quem nos somos, e ai tanto faz faz se você quer trabalhar 16 horas por dia, sábado, domingo, você vai ser muito útil a quem lhe contrata, e daqui alguns meses ou anos, vai ser dispensado, porque ja foi usado, ficou o bagaço, agora joga fora e contrata outra pessoa,
Pesquisa Instagram:
Voce consegue equilibrar a carreira com a vida pessoal? 65% Sim, 35% Nao
Para problematizar isso ainda com recorte de gênero, com a pandemia veio essa questão do homeoffice, trabalhar de casa se tornou uma das medidas de prevenção ao COVID19 . Algumas pessoas se adaptaram a esse novo formato, outras nem tanto. Uns preferes uns horários mais flexíveis no trabalho remoto enquanto outros estão sobrecarregados principalmente as mulheres,
Anderson Santana, professor do DPTo Geral e Recursos Humanos da Fundação Getulio Vargas declara:
“A mudança para o homeoffice, a mudança para as outras formas mais virtuais de trabalho, ela traz ganhos como por exemplo, ganhos de mobilidade, você não precisa gastar, 2 ou 3 horas no transito, você pode aproveitar isso melhor de uma forma mais saudável para o lazer, etc, por outra lado também a gente tem que estar atento, as implicações negativas a sociedade de vida associada ao trabalho. A própria dificuldade de separação do pessoal para o profissional, nos vimos que hoje é muito discurso de a gente ter essas duas instâncias como associadas , como intrinsecamente relacionadas, como trabalho enquanto projeto de vida, okay, mas ele não pode ocupar o plano psciquico todo do indivíduo. O inidviduo, ele não pode ser totalmente so trabalho, principalmente fazendo esse recorte da pandemia, a gente pensar que nesse com a pandemia, nos atingimos o maior índice de mulheres fora do mercado de trabalho dos últimos 30 anos, e pesquisas relata que 50% das mulheres precisaram ficar em casa para cuidar de uma criança ou de um idoso durante a pandemia.
Essa questão também levanta um outro tema que é pensar na mulher sobrecarregada, na sua entrada no marcado de trabalho, acumulando s funções de cuidado com a casa e com as pessoas mais vulneráveis como idosos e crianças, sem que a gente tenha uma estrutura de serviço publico que permita essas mulheres deixar por exemplo, o filho numa creche em período integral para poder se dedicar a sua vida profissional e o que a gente tem é um cenário em que as mulheres estão constantemente exaustas. Então como a gente pensa sobre isso e como fazer com que as mulheres se desencarreguem do trabalho sozinhas em casa, com conscientizar os homens principalmente e as mulheres também de que a gente precisa dividir esse cuidado para que a gente não tenha um cenário de sobrecarga sempre sobre as mulheres?
Temos falado muito aqui de cultura que continua achando que a casa é responsabilidade feminina, então se ha marido e crianças em casa existe, existe um fenonomeno biológico que a multiplicação de copos e xícaras na pia, eles se reproduzem, eles tem cio, e com sorte amanhecem em grande quantidade na pia, por que no geral estão espalhadas pela casa, rs. Existe a necessidade de politicas publicas como creches, a necessidade de coonscientizacao dos homens mas é valido tocar numa outra ferida, na capacidade da mulher de dizer não. A casa é ocupada por duas, três, cinco pessoas, logo não é responsabilidade de uma pessoa. Então é preciso saber dizer não e se alguma fica dizendo, mas você é mulher, etc, repense estar com aquela pessoa, reeduque, estabelece o seu limite, porque a tendencia de empresa, maridos e filhos é não ter limite na demanda, não tem on ou off para criança, ou logo então então “mamãe esta de homeoffice e agora você fica quietinho lendo Luziades” , não, a criança continua la brincando e querendo atenção a todo instante e comendo sem parar, então é difícil, mas uma coisa que pode ser feita, não é anuncia, a mulher também estabelecer o limite, sendo esse limite será dado pelo estresse e pelo esgotamento total porque o sistema empresaria e familiar esgotam a trabalhadora a te o bagaço, isso é uma tradição cultural.
Pensar em soluções coletivas e estruturais mas pensar também na coscinetizacao do indivíduo inclusive para atuar na diracao dessas mudanças.
QUAL A DIFERENÇA ENTRE TER PRAZER EM TRABALHAR E SER UM WORAHOLIC ?
“VOCÊ CONSEGUE SEPARAR O SEU TRABALHO DA SUA VIDA PESSOAL ?
“Eu comecei não conseguindo”, Professor Karnal e filósofo contemporâneo, reponde ao ser questionado em uma entrevista, “houve um longo período da minha vida que eu estava dando mais 60 horas por semana de aula e fazendo por graduação e estudando línguas, então o resultado é que eu tive uma primeira crise de estresse no meio do doutorado, eu desmaiei, eu tive crise de ansiedade, e ai eu aprendi que meu corpo vai dando sinais, insônia, dificuldade de gestão, e terrores noturnos, expressão que eu aprendi num livro de biografia uma vez, acordar no meio da noite e dizer “eu não entreguei isso” , “não fiz aquilo”, dai eu fui aprender. Eu tive mais duas crises de estresse mas eu fui aprendendo a ouvir o meu corpo. Então eu tenho uma dificuldade porque minha vida profissional ela me absorve muito, ela tem muito da minha energia, mas hoje ue aprendi o seguinte, se eu não puxar o freio ninguém puxa, as demandas são muito grandes, é uma questão afetiva de carência ficar dizendo sim para todo mundo, então saber dizer não é fundamental. Eu não tenho tempo é inteiramente elástico, e eu poso trabalhar sábado e domingo com frequência e escrevo textos, mas eu não posso fazer isso sem parar e por muito tempo. Porque? Vai piorar o meu texto, vai piorar a qualidade da minha leitura e do meu estudo. Entao parar, tomar decisões que eu passei a tomar, as vezes no meio da semana, não tem nenhuma live , não tem nenhum texto para entregar, eu decido fazer um passeio no meio da semana. Eu levei muitos anos para poder fazer isso, e eu entendi que eu me orgulhava do excesso de trabalho, e usava aquele suicídio ético, estou me matando de trabalhar. Eu cheguei a tornar isso tema de terapia, então eu sei que é inteligente trabalhar com dedicação, tudo que merece ser feito, merece ser bem feito, porem , interpretar que meu corpo tem limite , que meu tempo não é ineslastico, e não é elástico e nem infinito, então essa questões muito difíceis. Eu ja errei bastante nisso.
Nos glamurizamos o sacrifício e essa é uma postura que pode ser vinculada a alguns pensamentos religiosa e quanto a nossa dificuldade em dizer não sem sentir culpa por estar se colocando em primeiro lugar. Logo quando falamos “eu não vou aceitar esse convite” , ou “eu não quero fazer isso pois isto não faz parte das minha prioridades” colocamos o nosso planejamento pessoal em primeiro lugar e muitas vezes sentimos culpa de nos colocar em primeiro plano. Por que temos esse chicotinho-queimado pronto para bater nas costas?
Porque você não nasceu no paleolítico, você nasceu numa sociedade ocidental crista, onde a ideia de trabalho vem acompanhada de realização e de ética. Porque no ocidente, especialmente na nossa maneira de ser existe um ética protestante do trabalho, independente da origem católica ou de outras origens e porque nos associamos carência, mesma a carência que nos leva a trabalhar muito, nos leva a dizer sim as pessoas.Portanto é importante dizer não com equilibro , as vezes aceitar uma nova oportunidade, uma cosia que esta fora do seu radar imediato, mas abre um caminho novo, mas dizer não é fundamental. Ė brilhante a pessoa que consegue fazer o que deve fazer e dizer não para o excesso. Isso é muito brilhante, muito importante e absolutamente essencial. Aprender a dizer não é essencial . Nosso corpo tem um limite maior que a nossa cabeça e que somos mais produtivos quando estamos mais tranquilo e mais descansados e que somos o Deus Criador da nossa agenda! Logo não podemos reclamar dela. Pare de reclamar da agenda, pense em quem organizou a agenda.
“É preciso dar espaço para o espirito santo. Uma maneira de dizer que o tem que ter e fazer nada as vezes é fundamental, alias isso esta na origem de muitos gênios, a capacidade da contemplação e não ficar postando nas redes sociais: “cheguei”, “estou aqui”, olhar para o mar, olhar para a grama, ver a grama crescer, isso é fundamental.”
A MENTALIDADE DO WORKAHOLIC PODE AFETAR AS CRIANCAS
Com a melhor das intenções muitos pais buscam varias atividades para os filhos, custos de idiomas, aulas de musica, esportes, mas ate que ponto os pequenos precisam lidar com tantas tarefas ao mesmo tempo?
Raquel Franzin, Coordenadora de Educação Intituto Alana :
“Essa é uma sociedade excludente, é uma sociedade presa a um cronometro, presa a um relógio, é uma sociedade que deixa diferentes ritmos, diferentes talentos e capacidades para trás, porque essa sociedade não é apenas acelerada, ela prioriza, muitas vezes a cognição cognitiva em detrimentos de outras dimensões da vida como a dimensão emocional, social, cultural, física do movimento e prioriza e idealiza a cognição como sendo a resposta para toda a vida humana , o que não é. Isso na infância e no adolescente acarreta a muitos prejuízos, porque primeiro as crianças não tem uma oportunidade de se desenvolver integralmente e segundo, porque a gente deixa muitos talentos e muitos capacidades pra trás coo esse modelo único e acelerado de ser.
E complementando esse fala da Raquel, da pra gente pensar no impacto conviver com pais ausentes por causa do trabalho e que justifica a ausência pela necessidade de se submeter a uma rotina de trabalho tão estressante porque a criança cresce com essa mentalidade “ se a pessoa que ue mais amo na vida, teve que me deixar só” porque ela precisava trabalhar e precisava trabalhar tanto como os meus pais precisaram porque essa é a dinâmica do mundo esse é o único jeito de viver.
DEIXE AS CRIANÇAS E JOVEM TEREM TEMPO LIVRE
Massas dinâmica tem um efeito colateral que muitos colegas intelectuais passaram o tempo todo lendo, escrevendo, estimulando a leitura e os filhos odeiam livros, mas tem uma certa psicanalista, estar com os livros era o tempo que meu pai não estava comigo, então os livros roubaram a minha infância, roubaram meu pai e minha mãe. Ė muito freqüente o filho do intelectual e avesso ou inimigo dos livros porque viu naquele na trabalho, naquela ocupação, não um prazer, mas um lapso da sua própria infância. Mas o que a Raquel tocou é fundamental gente, é um erro brutal tornar a criança um pequeno executivo. É um erro brutal, a criança deve estudar, deve colaborar com pequenas tarefas em casa quando ja tiver esse discernimento, como fazer sua cama, etc, pequenas tarefas. Criança não pode trabalhar, mas ela noa pode sair do judo pra natação, da natação para o inglês, dali para a escola e dali para fazer atividades, etc, não. Ela tem que ter um espaco para brincar sem a supervisão dos pais, ela tem que ter um espaço dela com colegas da mesma etapa, ela tem que ter um espaço para ser ela, e que tenha um espaço que ela posso se soltar sem a presença de uma autoridade, claro que seguras. A regra que todos mãe e todo pai sabe, se criança fica em silencio corre porque tem algum problema, enquanto ela estiver fazendo coisas, gritando, esta tudo certo, mas ela não pode ser supervisionada a todo tempo, a criança tem que ter o espaço da criação. Reflitam e uma leitura que indico para isso , é a do livro “ Grito de Guerra da Mae Tigre” (Autor Amy Chua) de uma senhora dos Estados Unidos de ascendência oriental, casada com um advogado norte americano, como ela educou as duas filhos dentro de um modelo quase militar de produtividade. Reflitam, o livro é muito interessante.
HA UMA DIFERENÇA ENTRE PRAZER E VICIO NO TRABALHO
Voce ja ouviu aquela frase da sabedoria popular “escolha o trabalho que você ama e não tera que trabalhar um único dia da sua vida”.
Para o psicanalista Jorge Forbs, é muito bom quando a gente gosta de trabalhar, mas ainda assim a vida não pode se limitar apenas a isso:
“Existe uma diferença muito grande entre você ser viciado no trabalho e ter prazer no trabalho. Prazer o trabalho é tudo aquilo que podemos almejar na vida, tem uma sensação que quase você não precisa de férias, você se diverte, você cria quando você gosta do que você faz. Isso é totalmente diferente do viciado em trabalho, porque o viciado em trabalho é o anônimo viciado em trabalho, não tem nenhum tipo de qualificação da sua singularidade, é muito mais algo repetitivo. O viciado em trabalho é ilimitado. O não viciado,, aquele que tem prazer no trabalho se limita pela própria satisfação entre o jogo do desejo e a própria satisfação.”
QUAL A DIFERENCA ENTRE O WORKAHOLIC E O WORKLOVER?
Existe essa diferença muito clara, e como o Jorge falou a gente tem que redescobrir o nosso prazer naquilo que a gente faz. Tem muita gente que acaba sentindo um certo vazio, depois que o trabalho acaba, que tem essa compulsão que que precisa de mais trabalho, que precisa reforçar essa questão da produtividade, e ai muita gente acaba ligando o trabalho ao valor que a pessoa tem em si. Então é quase como se o meu valor como pressão tivesse relacionado aquilo que eu faço Então uma grande diferença entre as pessoas que amam e gostam daquilo que faz, só que elas não tem essa compulsão por trabalho é que elas conseguem ver valor naquilo que elas fazem e a gente tem que lembrar que nem todo trabalho tem a sua gravíssima importância, logo a gente tem que dr importância para aquilo que realmente é importante pra gente, Acredito que fazer essa diferenciação é o início básico.
Refletindo sobre todas essas coisas, podemos citar o Carochi, são pessoas que acabam morrendo, sem querer ou ate inclusive se suicidando por excesso de trabalho. É uma situação que ficou recorrente no Japão e é muito perigoso porque realmente quando se tem um vicio ou as pessoas são forcadas tanto por questão de culpa quanto pela necessidade financeira, elas acabam perdendo a noção do quanto elas estão trabalhando. E ai tem gente que trabalha 140 horas em uma semana. É preciso ficar atento e saber fazer essa diferenciação, ate onde esta indo por amor o que gente faz e quando isso se torna um vicio, uma compulsão.
Saber dizer o ponto final é muito importante, por exemplo, eu quero dar entrada no meu primeiro apartamento”, logo eu vou aceitar mais trabalho, eu vou fazer a maquina trabalhar em um ritmo mais acelerado, mas tem um objetivo. O problema é saber dizer depois que aquele era o objetivo, sendo você nunca vai parar. Jorge Forbes tocou num ponto importante, trabalhar com prazer é muito bom, mas não existe trabalho que seja prazer o tempo todo.
Voce faz bolos decorados, que coisa criativa! Voce prepara o bolo, embala, entrega, é um trabalho seu, envolve arte, culinária, sabor, é uma maravilha, admiramos muito quem tem essa habilidade, foi lindo, mas amanha tem que fazer outro, mais outro. A cliente pode ser maravilhosa, como a pessoa que esta lendo essa matéria, mas pode ser um porre como outros pessoas que não estão aqui usufruindo desse conteúdo fabuloso. Então vai ter que fazer mesmo assim, e amanha precisará entregar seis bolos e tem uma pessoa gritando pelos prazos dos bolos. Então todo trabalho tem prazer mínima ou ate pode ter bastante, mas nenhum trabalho tem prazer o tempo todo, nenhum trabalho é um êxtase permanente. Que maravilha!
Um outra coisa interessante a se analisar é que como a tecnologia deixou os processos muito mais rápidos, e gente acaba tendo a falsa impressão que estamos sendo mais produtivos. Isso afastou muito a gente do esmero, de fazer as coisas como por exemplo os trabalhos dos artesãos que tinham a sua especialidade e hoje meio que todo mundo faz tudo, porque tudo ficou muito fácil, mais acessível, as ferramentas principalmente, entao a gente não tem mais aquela grande dedicação e tudo é muito imediato. Se torna u trabalho alienado que perde a satisfação do processo. Perde essa diversão, prazer naquilo que a gente esta fazendo e construindo, porque realmente essas pequenas recompensas, esse imediatismos que a tecnologia traz não so nas redes sociais mas ate na resolução de alguns problemas a gente tem ferramentas a cessíveis, a gente tem uma falsa sensação de produtividade ao mesmo que a gente esta meio que só rodando em círculos.
E ja que estamos falando de tecnologia e de amor ao trabalho, vamos aproveitar para juntar as duas coisas porque baseado numa pesquisa nas redes sócias feitas pela CNN Brasil, onde foi perguntando aos internautas se eles gostaram de trabalhar menos. Vamos ver o que eles responderam:
Atualmente você gostaria de trabalhar menos ou mais no trabalho?
40% MAIS / 60% MENOS
Eu quero aproveitar aqui e lembrar para você que estamos falando em Instagram, que estamos presentes também no Instagram. Vocês podem seguir a gente no @elisabetemarinhoofficial . É só ficar ligado tombem que abaixo dessa matéria segue o nosso QR Code , é só apontar a cera do seu celular que já vai direto para nosso perfil.
HOME OFFICE PIORA DIVISAO ENTRE VIDA PESSAOL E TRABALHO
A nossa relação com o trabalho ela mudou com ao longo do tempo?
De acordo com o Leandro Karnal a nossa relação do trabalho mudou bastante. O trabalho era considerado um sacrifico pela elite romana, era considerado um desonra para o nobreza européia, ter limpeza de sangue, ou seja, não ter atendentes judaicos ou mouros, e limpeza de mãos, ou seja, eu nunca trabalhei, é o que aparece no professor Fidalgo, quando ele é acusado de ser vendedor de tecidos, ele nega e afirma sempre ter sido burguês. Foi uma transformação na concepção do trabalho, foi uma transformação na visão do trabalho, ate nos chegamos ao nosso mundo que discursos variados do liberalismo, do empreendedorismo, etc., vão focar a ideia de que viver é trabalhar. Mas uma questão para a gente não perder de foco, nós estamos falando aqui sobre excesso de trabalho, estamos falando de Burnout, estamos falando de uma serie de coisas, não vamos esquecer que no Brasil, nos temos uma cidade do tamanho de Sao Paulo, de Genet que não consegue nem pouco, nem médio, nem muito trabalho, ou seja, milhões de brasileiros que adorariam estar sofrendo com os efeitos do estresse do trabalho, pois estariam ganhando alguma coisa. Há milhões e brasileiros na miséria, porque não tem empresa para as pessoas. Então, sempre fazendo esse contra ponto que vai levar graças ao desemprego, um outro sentimento, já que você esta empregado, trabalhe muito sendo você vai se juntar aquela questão que foi analisada no século 19 como exercito de reserva, ou seja, aquela mão de obra ociosa, que pode ajudar a baixar salários e expectativas. “Nao gostou meu filho? Tem 10 que fariam pela metade do preço.” E Tem. Isso é um jogo muito complicado hoje.
E se a nossa relação com o trabalho muda ao longo da história, logo a pandemia mudou a relação de muitas pessoas com o trabalho. A nova rotina envolve home office, máscaras e não tem aquele happy hour para aliviar o estresse no final do expediente. Quais dessas mudanças vieram para ficar?
Na pandemia muitas empresas migraram para a esquema de homeoofice, embora o homeoffice não seja exatamente o que a gente estava vivendo, porque o que a gente estava vivendo era isolamento, mas tudo bem. Quem trabalha presencialmente precisa usar mascaras, e o happy hour ficou totalmente fora da agenda, porque ainda não é o momento de aglomeração. Por isso muito gente começou a questionar a relação que tem com o trabalho.
Será que ja é possível mapear algumas tendências no mundo dos pandemia?
O professor Anderson Santana do Recursos Humanos da Fundação Getulio Vargas também faz uma citação sobre essa reflexão:
“ Sem duvida , a pandemia abre uma possibilidade significativa de mudanças em relação a essa ética do trabalho e que coloca o trabalho como um elemento central. Eu creio que essa tendencia de uma maior responsabilização por parte do indivíduo, acerca de sua carreira, a emergencia de múltiplos vínculos de trabalhos, trabalho fulltime, trabalho eventual, isso tudo tem levado a uma redefinição dessa nossa compreensão acerca do trabalho.
Devido a importância do individuo nesse relacionamento com o trabalho, a gente é condicionado pelo meio, pelas estruturas, mas a gente tem ainda o nosso protagonismo, a gente pode decidir sobre a nossa vida. Mas num pais tão desigual quanto o Brasil, o que significa a gente falar sobre responsabilização individual e a relação que tem o comportamento do individuo nessa dinâmica que é mais ampla.
Como certamente a grande maioria de nos acreditamos muito na melhoria individual, acreditamos no empreendedorismo, especialmente entre igual, na meritocracia entre iguais, acreditamos numa seria de princípios e achamos muito importante que o individuo aprenda a criar, a char alternativas, mas a maioria dos trabalhadores brasileiros, todos que trabalham, não estão buscando uma expansão disso, estão apenas sobrevivendo. Então é preciso não confundir que entregar comida de bicicleta é empreendedorismo, pregar comida de bicicleta ficando com muito pouco dinheiro, essa é uma estratégia de sobrevivência, quase no limite da mísera, Então quando eu quero responsabilizar o individuo, podemos lembrar de uma piada que pode ser lida pela esquerda, pelo centro, pela direita, de um chefe que mostra sua Loumborguini 0KM , reune os trabalhadores na empresa no final do ano e diz: “Se vocês trabalharem muito, se vocês derem o sangue, se vocês se dedicarem muito, no ano que vem eu terei duas dessas.” Muito cuidado, uma coisa é o trabalho de alto desempenho intelectual e criatividade e de alta rentabilidade, outra coisa é a pessoa que esta dirigindo um carro, entregando comida não é por empreendedorismo, é porque naquela noite, ela precisa daquele dinheiro para cobrir alguma necessidade. Coisas completamente diferentes. Precisamos pensar nessas diferenças. Sim para empreendedorismo, sim para meritocracia, sim para esforço e não para a ideia que isso seja igual para todo mundo.
Sera que é possível fazer uma conexão com a cultura desse “workaholismo” com o machismo e racismo?
A com certeza! Um pouco dessa cultura ela vem de que os homens eles precisam trabalhar muito, serem provedores, isso é um dos fatores. Isso exclui muitas mulheres talentosas porque geralmente eles acaba tendo que deixar os filhos ou com as próprias mais ou em creches, isso caba as excluindo ou as colocando de uma forma muito desigual nessa competição. A gente também que lembrar que isso é uma cultura que foram criados por homens brancos, e ai quando se fala de mulheres negras, elas ficam ainda mais marginalizadas, e ai a gente acaba muito enaltecendo alguns heróis, trabalhadores e caras incríveis e conseguiram, e a gente esquece que eles só conseguiram isso a custo de muitas mulheres, das empregadas domesticas, dos seus funcionários e o próprio apoio de outras mulheres então certamente tem um pouco disso sim, dá para fazer um paralelo com essa cultura com essa questão muito relacionado com o machismo.
E aproveitando para falar sobre essa questão da meritocracia, deixamos uma indicação de um livro do Michael J Sandel , ‘A tirania do mérito’, ele fala sobre qual s importância e relevância de a gente poder entender que parte do nosso sucesso também é contingencia para todas as pessoas e como isso faz com que a gente fortaleça os vínculos sociais e que a gente tenha uma maior capacidade de se colocar no lugar do outro. Fica a dica!
VAMOS FALAR AGORA SOBRE O FUTURO DO TRABALHO?
Que tal pensarmos agora na próxima geração?
As crianças tem muito a ensinar aos adultos, inclusive quando se trata de trabalho, afinal uma simples brincadeira pode desenvolver habilidades bem importantes para o sucesso profissional . Para a coordenadora de educação do instituto Alana, a Raquel Franzin, essas brincadeiras noas são um tempo jogado fora. Vejam:
“Brincar de livre iniciativa, esse tempo que parece um tempo ocioso, um tempo em que não acontece nada, um tempo jogado fora, ele é pelo contrario, ele não é um tempo regido pelo relógio, ele é um tempo regido pela experiência, é um outro tempo, mas é um tempo fundamental para se arquitetar habilidades humanas importantíssimas para a vida como um todo. Quando você se engaja numa brincadeira, você cria uma narrativa imaginaria, lúdica, você esta ali testando novas soluções, colaborando com outras pessoas, talvez com materiais diferentes, você também tem uma oportunidade incrível de imaginar novos mundos possíveis, isso que é tão importante cada vez mais para um modelo de sociedade que a gente tem que é excludente. A gente precisa imaginar novos mundos possíveis e brincar é sempre uma oportunidade dessa imaginação acontecer.”
Brincar pra imaginar outros futuros possíveis , lindo!
Adorei esse tema atual do nosso blog, gratíssima por estar comigo até aqui. ♡